Skate: o surf do asfalto

Após ser um dos destaques da última Olimpíada, as pistas de skate estão virando as novas quadras de futebol

De origem americana, idealizada por surfistas californianos cansados de esperar por boas ondas, o surf no concreto foi criado na década de 1950, nos EUA (Estados Unidos da América). Na época, os praticantes improvisaram ao acoplarem rodinhas de patins a um pedaço de madeira. Nos anos 1960, o skate ganhou vida própria, com inspirações na cultura urbana e com adesão de cada vez mais pessoas a prática, se desvencilhando do surf, ganhou suas próprias manobras, pranchas adequadas ao solo e finalmente chegou a outros países. No Brasil, a prática do skate começou no final da década de 1960, iniciado por surfistas cariocas que tinham chances de realizar viagens internacionais e conhecer sobre a febre do momento. Apenas em 1985 que o esporte se consolidou no coração dos brasileiros, quando São Paulo virou o mar de quem não tinha praia por perto.

OLIMPÍADAS E CRESCIMENTO EXPONENCIAL
Mas foi em 2021 que o skate conseguiu atingir o seu ápice, com a entrada no programa dos Jogos Olímpicos de Tóquio e recebendo críticas positivas por parte dos organizadores e do público. O skatista profissional, Daniel Lara, revelou o quão importante foi o esporte ter participado das Olimpíadas. “Foi um verdadeiro sucesso, isso chamou muita atenção da sociedade para o esporte, o que é maravilhoso, pois traz muitos praticantes novos”, revela o skatista, que além de atleta é organizador
do Campeonato Paranaense de Skate Downhill.

Daniel, que começou a andar de skate por diversão com os amigos, hoje é um dos principais skatistas do Brasil. Ele aproveita para dar algumas dicas para quem quer começar a andar de skate. “A melhor dica que posso dar é que busque alguém para orientar, seja um amigo ou professor, até mesmo um Skateshop”. Com tantos astros surgindo, como Rayssa Leal e Kelvin Hoefler, claro que o desejo e ambição de virar um skatista profissional aumentam, com isso o reconhecimento e o sucesso aparecem.

Daniel conta um pouco o que é precis para se tornar um profissional das pistas. “É preciso cumprir uma série de requisitos competitivos ou de contribuição para o desenvolvimento do esporte, não é tarefa fácil e, mesmo depois da aprovação é preciso continuar trabalhando muito para se desenvolver dentro do mercado do skate”, admite o skatista.

CAMPEONATO PARANAENSE DE SKATE DOWNHILL
O skate é um esporte que conta com várias modalidades, como por exemplo, o Downhill e o Street. O skate Downhill é praticado em ladeiras e tem duas vertentes, o Downhill Slide, que tem foco nas manobras ao longo da ladeira e o Downhill Speed, que o objetivo é descer uma ladeira o mais rápido possível, sendo a competição uma corrida. Muitos até chamam essa modalidade de Fórmula 1 do skate.

Como Daniel explica, Curitiba é referência no Brasil quando o assunto é o skate Downhill, isso porque a cidade conta com duas pistas seguras destinadas somente a prática do esporte, diferente de outras cidades onde é necessário disputar espaço com carros ou fechar vias. “Em Curitiba há o programa
de incentivo ao esporte, onde a prefeitura apoia diversos projetos esportivos de competição, participação e aprendizagem no esporte, o governo estadual também promove competições dentro dos seus calendários de competições nas regiões do Paraná”, revela o atleta.

Organizado pela DSAP (Downhill Speed Associados do Paraná) o Downhill na Graciosa já é uma tradição. A estrada sediou várias etapas do campeonato estadual e nacional. O último evento oficial aconteceu em fevereiro de 2020. Desde então, devido a pandemia, as competições foram suspensas. Agora, com um pouco mais de segurança e boa parte da população vacinada, os skatistas voltam a
se encontrar para disputar o título paranaense. “É muito importante ter eventos periodicamente, tanto
competições como treinos oficiais, os atletas precisam dessa constância para evoluir tecnicamente,
com isso o esporte vai se popularizando com um calendário mais completo”, finaliza o organizador
do evento

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