Brasileiro por amor

Ator americano radicado no Brasil fala sobre sua paixão pelo país tupiniquim, carreira de ator, família, futuros projetos e conta um pouco sobre seus gostos e hobbies

Por Guilherme Maurer
Fotografia: Matteo Gualda

Como começou a carreira?
Desde criança, sempre gostei de brincar de faz de conta. Os meus melhores dias foram na minha imaginação, correndo pra lá e pra cá nos mundos que criei, tanto na rua, quanto no quintal. Quando descobri que existia uma profissão onde se pode fazer isso, experimentar vidas diferentes em diversos lugares e, até fantásticos, sabia que seria o meu único caminho, escolher a carreira de ator. Fiz as minhas primeiras peças na escola, nos EUA (Estados Unidos da América), e me apaixonei pelo teatro. Até hoje, não tem nada igual a estar no palco, ao vivo. Quando estava na faculdade de Belas Artes, passei a atuar profissionalmente, durante seis dias da semana, com duas apresentações, aos sábados.
Aprendi praticando. Enquanto nas aulas me ensinavam a arte da atuação, as apresentações me ensinaram a realidade de fazer acontecer, noite após noite, em frente a uma plateia pagante.

O que conhecia do Brasil antes de decidir vir para o país?
Quase nada! Sempre foi um lugar que queria conhecer, mas quando surgiu à oportunidade de vir, foi um salto de fé.

Geralmente são os brasileiros que vão para o exterior em busca do mercado hollywoodiano, mas fez o caminho contrário, conte um pouco por que decidiu vir ao Brasil que mais o encantou e por que decidiu ficar?
Vim por conta de um relacionamento romântico. Como não falava nenhuma palavra em português, quando cheguei, realmente não tive esperança de trabalhar como ator mais. Estava aposentado. Meus pais foram professores, então pensei em começar uma nova carreira como professor, mas desde o começo, as oportunidades na área artística, começaram aparecer. Tive vários projetos, incluindo filmes e séries, propagandas e roteiros em inglês para o mercado internacional. Assim, foi possível aprender português enquanto continuava na minha carreira. No fim das contas, o relacionamento que me trouxe pra cá, acabou, mas a carreira, a cultura, a beleza do país e um novo relacionamento forte e verdadeiro, me fizeram permanecer. Teve dificuldade em aprender a lingua portuguesa? Ainda estou com dificuldade! Português é uma língua linda, mas complicada. Existem coisas nela que ainda erro. Também tenho o desafio de ser a oportunidade para todo mundo praticar inglês. Quando a pessoa repara que sou estrangeiro e com sotaque, nunca demora muito para eles só quererem falar inglês comigo. Gosto e fico feliz pela cortesia, mas, por isso, nunca precisei sobreviver só com português, e acho que isso prejudica o processo de aprendizagem.

O que pensa sobre família? como anda sua vida sentimental?
Família foi o maior presente do Brasil. Hoje, tenho quase 10 anos com o verdadeiro amor da minha vida e com duas crianças lindas. É a família que traz uma perspectiva de vida, é tudo. Hoje, estou muito focado nos meus dois atuais projetos – a série dirigida por Jayme Monjardim: Passaporte para a Liberdade; que estreia no dia 20 de dezembro, na TV Globo, em parceria com a Sony Picture Television, e vai ao ar em versão dublada. Vai contar a história de Aracy de Carvalho (Sophie Charlotte), brasileira que salvou a vida de muitos judeus, na Alemanha, durante a 2ª Guerra Mundial. A minha expectativa é muito grande para esse trabalho! Também estou gravando outro projeto dessa parceria, que é a série: Rio Connection. Já atuei no cinema e posso destacar o meu personagem Joshua, no longa: Bacurau; que ganhou o prémio do Júri no Festival de Cannes, em 2019, e contracenando ao lado de Sônia Braga.

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